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Viagens corporativas e eventos presenciais na América Latina: como unificar o procurement de dois orçamentos que sempre são geridos separadamente

Por Ludmila Cott · Cofundadora e Produtora

As viagens corporativas já superaram os níveis pré-pandemia. As companhias aéreas da região confirmam uma recuperação sustentada que desmente as previsões de quem apostava num mundo 100% virtual. Mas essa notícia tem uma consequência operacional que muitos departamentos de Procurement ainda não processaram: se a sua equipe viaja mais, os seus eventos presenciais crescem em volume e em complexidade. E se você continua gerindo travel management e produção de eventos como dois silos separados, está pagando duas vezes por ineficiências que se retroalimentam.

O problema estrutural: dois orçamentos, zero coordenação

Na maioria das corporações multinacionais com operações na América Latina, o orçamento de viagens corporativas vive em Finance ou num travel desk centralizado. O orçamento de eventos (ativações de marca, convenções, lançamentos de produto) vive em Marketing ou numa equipe de Experiential. Cada um tem a sua própria cadeia de fornecedores, os seus próprios processos de RFP e as suas próprias métricas de sucesso. O resultado é previsível:

O que significa unificar o sourcing de travel e live events

Não se trata de uma agência de viagens produzir eventos nem de uma produtora operacional vender passagens aéreas. Trata-se de o departamento de Procurement desenhar um processo de RFP que contemple a cadeia completa da experiência presencial, desde que o participante recebe a convocatória até que regressa ao seu mercado de origem. Isso implica:

O perfil de parceiro que este modelo exige

Nem todo fornecedor consegue operar nesse esquema. Os critérios de avaliação que um processo de RFP sério deveria incluir para esse tipo de integração são concretos:

O custo real de não integrar

Um caso típico: uma marca global executa um evento regional de 400 participantes em Buenos Aires. O travel desk negocia tarifas de hotel por conta própria. A produtora local reserva um venue que inclui bloco de quartos em outro hotel. Resultado: dois blocos hoteleiros subutilizados, penalidades por no-show em ambos, e participantes divididos em dois pontos geográficos que complicam a logística de transporte. O sobrecusto estimado num caso assim pode representar entre 12% e 18% do orçamento total do evento. Não é um erro de execução em campo. É um erro de desenho do processo de Procurement.

A recuperação das viagens corporativas não é uma tendência passageira: é a confirmação de que a presencialidade tem um valor estratégico que as marcas estão dispostas a financiar. Mas financiar não significa pagar duas vezes. Para os diretores de Sourcing que gerem ativações de marca e eventos corporativos na América Latina, a oportunidade está em deixar de tratar travel e produção de eventos como categorias independentes e começar a exigir parceiros com capacidade operacional regional para articular ambas numa única cadeia de valor. Esse é o padrão que define a diferença entre gerir eventos e gerir orçamento com inteligência.

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