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Segurança e licenças ao produzir um evento na América Latina

Por Ludmila Cott · Cofundadora e Produtora

Um cliente aprovou uma ativação em Buenos Aires, um lançamento na Cidade do México e uma parada em Bogotá. As datas já foram anunciadas, o fornecedor de estrutura já mandou o orçamento, e ninguém ainda perguntou quem vai pedir as licenças do evento na América Latina, nem quando. É quase sempre nessa ordem, e é exatamente por isso que a licença, e não a produção, costuma ser o que atrasa tudo.

Este guia é sobre a parte que ninguém coloca no deck: o que vão exigir, o que muda ao cruzar a fronteira, quando começar e por que esse item trava mais eventos do que qualquer imprevisto técnico.

O que você já resolve em casa e não atravessa a fronteira

No Brasil você conhece o caminho: alvará da prefeitura, vistoria do corpo de bombeiros, laudos das estruturas, seguro. Em Portugal ou em Angola o desenho é outro, mas o reflexo é o mesmo: você sabe qual é o balcão, sabe quanto costuma demorar e sabe quem assina.

Nada disso atravessa a fronteira. O que atravessa é o método, e ele começa por uma pergunta que quase ninguém faz na primeira reunião: o espaço já é habilitado para o que eu quero fazer nele, ou a habilitação vem comigo? Um centro de convenções costuma carregar parte da licença. Um estacionamento, uma praça, um galpão vazio ou um clube não carregam quase nada, e aí tudo passa a ser seu.

As licenças de evento que aparecem em quase toda praça da América Latina

A matriz muda de nome em cada país, mas as famílias se repetem:

A esse bloco se soma o controle de acesso e credenciamento: com lotação declarada, contar quem entra deixa de ser conveniência e passa a ser a prova de que você não excedeu a capacidade autorizada.

O que muda de país para país, e dentro do mesmo país

A fragmentação não é nacional: é municipal. Duas cidades do mesmo país podem pedir documentos diferentes, na ordem inversa, para o mesmo evento. Por isso um roteiro regional se planeja com um cronograma por praça, nunca com um só. Está detalhado em licenças e alvarás para eventos internacionais e em produzir eventos na América Latina, país por país.

O que se pede ao parceiro local é simples de verificar: a sequência por escrito, com quem emite cada peça, o que cada uma exige antes de ser protocolada e o que acontece se uma delas travar.

Os prazos se contam a partir da montagem, não do evento

A fiscalização não aparece no dia do show: aparece na montagem. E vários trâmites são sequenciais, ou seja, um órgão só analisa depois que outro aprovou. Some a isso os documentos que também demoram para existir: contrato do espaço assinado, laudo estrutural, apólice emitida, lista de pessoal.

A regra prática é começar quando data e espaço estão confirmados, não quando o contrato com o cliente é assinado. Veja também quanto tempo leva para produzir um evento.

Por que a licença é o que mais trava evento

Por três motivos que se somam. É o único item que não acelera com dinheiro. Depende do calendário de um terceiro que não tem o seu prazo. E a aprovação é binária: não existe licença de 80 por cento. Por isso a habilitação entra no plano de contingência como qualquer outro risco crítico, com cenário alternativo e data limite de decisão.

Quem assina é quem responde

Na maior parte das praças, a agência estrangeira não pode ser a titular da licença: precisa de uma pessoa jurídica local, inscrita no país, que responda perante a autoridade durante a operação. Essa é a razão de fundo para ter um sócio operacional na região, muito antes da agenda de fornecedores.

Como a gente trabalha

A SOMOS DER é argentina e opera na Argentina, na Bolívia, na Guatemala, na Espanha e em outros países da região. Não temos escritório em São Paulo nem na Cidade do México: contratamos, capacitamos e dirigimos a equipe local da praça onde o evento acontece, com direção de produção viajando.

Foi assim na FILGUA, na Guatemala, com mais de 90.000 credenciamentos em 13 dias, sistema configurado desde Buenos Aires e equipe local formada por nós. E no Treble Trophy Tour do Manchester City, com protocolo definido pela sede em Manchester, e na turnê dos Brainrots, 10 datas em 5 cidades da Espanha. Antes de contratar qualquer parceiro, vale ler como auditar a capacidade operacional de um fornecedor.

Tem data e praça definidas? Vamos conversar antes que o prazo da licença decida por você.

Perguntas frequentes

Tem dúvidas? Temos respostas.

Quais licenças são necessárias para um evento na América Latina?

Não existe uma lista única, porque cada cidade tem o seu regime. Na prática, quase sempre aparecem as mesmas famílias: habilitação do espaço para aquele tipo de atividade, plano de segurança e evacuação aprovado, laudos das estruturas temporárias, autorização de som, habilitação sanitária de cada ponto de alimentos, ocupação de via pública quando há corte de rua e seguro de responsabilidade civil. O que muda entre países é quem emite cada uma e em que ordem.

Com quanta antecedência se pedem as licenças de um evento?

O prazo não se conta a partir da data do evento, e sim da data de montagem, que é quando a fiscalização aparece. E não se começa quando o contrato é assinado, e sim quando data e espaço estão confirmados: é o primeiro momento em que o pedido pode ser protocolado. Como boa parte dos trâmites é sequencial (um órgão só recebe depois que outro aprovou), o cronograma é montado de trás para frente, com as dependências escritas.

Uma agência estrangeira pode pedir a licença diretamente?

Na maioria das praças, não. O titular da licença costuma ser uma pessoa jurídica local, com inscrição fiscal no país, e é ela que responde perante a autoridade durante o evento. Por isso o parceiro operacional local não é só uma agenda de fornecedores: é quem assume a responsabilidade formal pela habilitação.

Por que a licença é o que mais atrasa um evento?

Porque é o único item do cronograma que não acelera com dinheiro. Você contrata mais gente para montar mais rápido, mas não faz um órgão público analisar mais rápido. E a aprovação é binária: ou saiu, ou o portão não abre.

Tem um evento? Vamos conversar.

Conte o que precisa e montamos uma proposta. Respondemos rápido.